sexta-feira, 19 de março de 2010

Aldeias

De todas as minhas aldeias
Você é a oca que me deixa com frio

E o frio faz-se experiência da alma
Todos os índios á sua volta me protegem

O alimento das minhas aldeias
Sacia todas as bocas
E minha boca não mais alimenta
Sua fome louca
De projetos de vida
E finais felizes

Se sou tantos em minhas aldeias?
Morrer um sentimento?

Deus eu, como é possível
Morrer um sentimento?
Autoria: Mosy – Benilde

Lua Serena

Lua serena
Conta, pra mim
Histórias do tempo

Dos enamorados e seus sussurros
Dos poetas e seus versos

E das canções de amor

Lua serena
Tens sua linguagem
Fremindo no vento

Vibrando ondulações na terra
Luzindo na escuridão

Lua serena, tão bela
Aquece meu coração
Onde palpita um grande
E profundo amor

Um profundo amor
Autoria: Mosy

quinta-feira, 18 de março de 2010

Acerca de...

Da última mão
Ter-se o meu coração
Um que é meu
Outro que meu é

Sinto que posso, sou
Sinto próximo,calor
Aperta-te de longe

Em minha garganta
De longe dói
Nó de ausência
Nó maior de presença

Dou a volta, evito cercas
Você me vem
Com um papo de: acerca de...

Você me cerca você me acerta
Você me flerta

E eu repito para que tudo se repita
Eu evito, não há mais apito
Não há mais jogo nenhum
Não há mais sorriso, não há nada
É a cor da saudade
Que a voz tem
Quando se ama alguém

Autoria: Mosy – Benilde

Não vou mais embora

Vazias, procuro vagas
Te olho de longe
E quão longe te espreita

A camisa esconde seu peito
A vergonha te suspende eleita
Senhora de minha verdade

Ao seu lado sempre estarei á vontade
Sua ausência, nem sempre será saudade

Peço amizade, e de novo
Tenho vontade de abraçar, beijar
Compartilhar minha voz
Tua voz, só há igualdade

Se tens catitas, sou francês
Se tens o revoir, sou inglês
Se tens affair, sou maracatu

Beijo a tua boca e o resto não têm
Segredo algum
Sentes, não me ignora
Serei sempre seu gosto de amora

Você é meu anjo, não vou mais embora
Autoria: Mosy – Benilde

Trajetória

Essa é a trajetória das pessoas
Que passam perto de você

Quem vê se entrega Alguns
Encontram uma porta
Outros entendem sua aorta
O bater do coração

Lua morta, rua torta, tua porta

Poucos mergulham em seus olhos negros
Profundos, vívidos, sofridos

Seus traços me comoveram
Seus riscos me excitaram

Lua morta, rua torta, tua porta

Sua calma também me acalmou
Por dentro, sua dor não me doeu
E nem a minha doeu a ti

Fizemos somente nos compreender
Isso pode ser pouco, isso pode ser muito
Mas hoje, isso é tudo
Autoria: Mosy – Benilde

Cheia

A lua já chegou e sem o saber, eu já sabia
Tinha na ponta dos dedos “explosão”
E na ponta dos dedos “nova explosão”
Era o começo de dor crescente que vaza
Dos olhos em gotas pequenas do resto, do que ainda não fui
Como a lua minguante de maré baixa
E tudo passa com o calor do sol
Só o que não passa é esse corpo cheio
Explodindo, vazando o que não passa é um
único mês em que a lua não seja cheia
(repete)

Autoria: Mosy – Benilde

Nau

Um canto de nautas pelos mares desertos
Devassa o horizonte canta por quem vem
Calmarias no mar adiante (repete)
A correr, a nau, o mar, o vento (repete)
A música faz-se ouvir ao coro toado dos personagens
Oh!... Cansados...
A correr, a nau, o mar, o vento

Autoria: Mosy

América

Por onde andam teus caminhos andinos
Por onde andam teus nativos passageiros
Teus curadores de ervas teus astrônomos,
mágicos arquitetos?
Por onde andam teus guerreiros latinos
Teus tesouros e tuas lendas
Teus ritos sagrados, teus ancestrais?
Será que devo América ressuscitar-te
em meio a teus escombros?
Será que devo América relembrar-te dos teus sonhos?

Autoria: Mosy – João Batagnoli

Habeas Corpus

Não me queimas, não me tires o ar.
Habeas corpus de mim.
Ah, este verde que vive, não verga, não deve
Não duvida. Só este homem ai não decifra a vida
Preciso de um verdemônio verdejante cavaleiro
Na floresta leve e na neve e até no frio
De dentro do rio, nas águas calmas
Tantos peixes... peixes...peixes
Lá fora feixe ao vento do veneno me defenda
Com duendes, lanças e crianças aqui presentes
Na floresta verde, ah
Um amor bem fecundo
E meu mundo gritar, quatro folhas e trevo
Me atrevo a cantar...
Autoria: Mosy-Ronald David

Música: "Habeas Corpus"